Professores da UERJ cobram dívidas da FAPERJ por projetos aprovados e não pagos desde 2014

 

Cerca de 400 pesquisadores da Uerj enviaram uma carta ao secretário de estado de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social, solicitando uma solução para o pagamento das dívidas que totalizam algo em torno de 70 milhões em auxílios até dezembro de 2018.

Leia a carta na íntegra a seguir ou clique na imagem para acessar a versão em pdf

Rio de Janeiro, 20 de setembro de 2018

Exmo. Sr. Gabriell Neves
Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social (SECTIDS)
Presidente interino da FAPERJ
Sr. Secretário,

Somos cerca de 400 professores da UERJ com projetos outorgados nas várias modalidades de auxílios da FAPERJ (APQs, ADTs, APV, INST). Atendemos a editais públicos dessa agencia, e nossas propostas foram contempladas após rigorosa avaliação por pares. Desde 2014, entretanto, recursos aprovados não vêm sendo repassados. Os compromissos assumidos conosco pela FAPERJ vêm sendo descumpridos desde então, sem que recebamos qualquer comunicação oficial.

Solicitamos à Presidência da FAPERJ a solução de tão prolongada anomalia, com o anúncio urgente de cronograma de pagamento dessas dívidas, que totalizam cerca de 70 milhões de reais segundo dados disponíveis. Reivindicamos que a quitação dos auxílios ocorra até dezembro de 2018.

Desde o final da década de 1980, financiamentos da FAPERJ tiveram importante papel na gradual transformação da UERJ em universidade de alta qualidade. Entretanto, a grave crise de financiamento vivida em anos recentes, além das dramáticas situações causadas pelo atraso de salários e bolsas, assim como do pagamento dos prestadores de serviços, foi responsável por graves prejuízos ao ensino de graduação e pós-graduação. Além disso, observou-se evasão de alunos e docentes, redução de demanda para os cursos de graduação e pós-graduação, paralisação de atividades de laboratórios, redução de equipes de pesquisa, impossibilidade de cumprir compromissos assumidos com instituições nacionais e estrangeiras, ausência do habitual apoio à instalação de docentes recém-concursados e congelamento de progressões funcionais definidas em lei.

Apesar de parte do orçamento de nossa Universidade ser ainda sistematicamente contingenciada, acreditamos que a gradual regularização do pagamento de salários, bolsas e serviços terceirizados, assim como do calendário acadêmico, apontam para a superação da crise mais grave já sofrida pela UERJ em toda sua história. Alguns prejuízos sofridos são irreparáveis, mas outros poderão ser minimizados com a retomada das atividades a serem financiadas pelos projetos aprovados e ainda não pagos pela FAPERJ. Desse modo, as expressivas contribuições da UERJ ao desenvolvimento socioeconômico, científico e cultural do Estado do Rio de Janeiro poderão alcançar patamares ainda mais elevados.

Portanto, Sr. Secretário, reiteramos nossa reivindicação: divulgação urgente pela FAPERJ de cronograma para o pagamento do que nos é devido, de forma que o mesmo seja completado até dezembro próximo.
Saudações universitárias,

Pesquisadores UERJ-Outorgados de Auxílios Faperj