Nota de apoio ao reitor da UFRJ, Roberto Leher e em defesa da democracia

A noite da grande fogueira planejada

Nota de apoio ao reitor da UFRJ, Roberto Leher e em defesa da democracia

São Sebastião crivado
Nublai minha visão
Na noite da grande
Fogueira desvairada

CHICO BUARQUE

A noite do dia 2 de setembro de 2018 vai entrar para antologia de tristezas da nossa história. Fomos surpreendidos com as imagens do Museu Nacional em chamas — o museu é uma das maiores e a mais antiga instituição científica do país. Para além da ativa solidariedade e do apoio que o Museu Nacional e a UFRJ merecem, precisamos combater a narrativa de ódio em curso. O presidente ilegítimo, Michel Temer, e o candidato a presidente Jair Bolsonaro, são dois porta-vozes do discurso que responsabilizam a UFRJ, na figura do reitor Roberto Leher, e o campo progressista pela tragédia. Quando, na verdade, o incêndio é fruto direto do congelamento de gastos públicos implementado pelo governo golpista e apoiado pelo candidato Jair Bolsonaro.

Segundo o SIGA Brasil, o orçamento da UFRJ vem diminuindo desde 2013, enquanto os gastos com a folha de pagamentos e pensões só aumentam. A conjunção desses dois elementos, o dever de cumprir com os direitos dos seus trabalhadores, juntamente com o corte de gastos, praticamente inviabilizam o orçamento da UFRJ. Este ano, por exemplo,a UFRJ prevê que fechará com um déficit de R$ 160 milhões. Eleito reitor em 2015, o professor Roberto Leher só assumiu o desafio de administrar a universidade nessa situação por ser um dedicado militante. Sua luta pela educação pública, gratuita e socialmente referenciada é reconhecida por educadores de todo país. Sua gestão conseguiu — mesmo sobre a política de terra arrasada implementada pelo Governo Federal nas universidades públicas —, manter a universidade funcionando nas suas atividades essenciais: ensino, pesquisa e extensão.

Em última análise, o que aconteceu com o museu não foi obra do acaso ou apenas de uma tragédia. O projeto neoliberal, há décadas em curso, quer desmontar todos os serviços públicos. Depois do golpe de estado ocorrido em 2016, esse projeto se radicalizou. Os que hoje acusam a UFRJ de ser a responsável pelo incêndio no Museu Nacional, são os mesmos que operam a política de sucateamento dos serviços públicos com fins privatistas. O músico e compositor Chico Buarque anunciou a barbárie como uma fogueira desvairada. É, certamente, mais uma de suas imagens geniais. Mas, na noite do último domingo, o neoliberalismo deu seu bárbaro espetáculo na forma de uma fogueira planejada.

Resistiremos, companheiro Leher!


Diretoria da Asduerj