Nota da Asduerj sobre os assassinatos da vereadora Marielle Franco e de Anderson Pedro Gomes

 A Associação de Docentes da UERJ vem a público expressar seu profundo pesar, tristeza, consternação e indignação com a morte de Marielle Franco. Ontem à noite, dia 14/03/2018, Marielle foi executada de forma brutal e escancarada. Mulher, negra, da favela, Marielle ousou ocupar espaços predominantemente brancos, masculinos e cis. 

Dedicada a lutar pelos direitos humanos, especialmente da população negra e favelada, Marielle foi eleita vereadora em 2016 com a quinta maior votação do município. Como vereadora, foi eleita há duas semanas relatora na câmara municipal para a intervenção federal militar no Rio. Vinha denunciando seguidamente os abusos policiais e o extermínio do povo preto e pobre.

Além de mais uma vida que se perde, o que por si só já é gravíssimo, sua morte deve ser compreendida no contexto político em que está inserida: uma parlamentar executada em um estado em plena intervenção militar federal.

Estamos diante de fortes indícios de uma execução sumária com amplas motivações políticas e que aspira calar e instituir o medo e o terror àqueles que se revoltam contra as arbitrariedades, a violência e todo tipo de irregularidades cometidas pela coalização nacional das forças da segurança pública que estão operando no estado do Rio de Janeiro neste momento.

A crescente polarização política que nos acompanha desde a campanha para as eleições presidências de 2014, os cortes e a drenagem de recursos das políticas públicas no estado do Rio, assim como a farra com o dinheiro público, orquestrada pelo conjunto de instituições da administração pública da cidade e do estado, na ocasião dos grandes eventos, desembocaram no clima tenso vivido pela população fluminense.

O consequente aumento das desigualdades sociais ocasionadas pelo conjunto de reformas colocadas em curso pelo governo de Michel Temer, em parceria direta com Luiz Fernando Pezão, fez do Rio de janeiro laboratório privilegiado para todo tipo de atrocidades, exemplificadas e sintetizadas mais recentemente com o projeto da intervenção militar federal no estado.
Companheira dedicada e sonhadora esteve presente conosco em diversas lutas. Morreu porque acreditava num mundo sem explorados e exploradores e lutava com todas as suas forças cotidianamente para isso. Sua força e vitalidade continuarão presentes em [email protected] nós.

Marielle presente!! Sempre!
A luta continua!