Pezão impõe teto a professores, mas paga vencimentos de até R$ 52 mil

Ao saldar, em 6 de outubro, parte dos salários de agosto, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), optou por limitar o pagamento dos funcionários de algumas pastas a quem recebia até R$ 6,1 mil. Enquanto isso, liberava os valores integrais dos salários de outubro da Segurança.

Na Polícia Militar, em que o menor vencimento é de R$ 953,47, o maior atinge R$ 52.458,28. O valor, 8,5 vezes superior ao suposto teto imposto por Pezão, também foi pago integralmente em outubro.

A maior parte dos servidores afetados pelo teto estão alocados na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Social (C&T).

A discriminação dos profissionais da C&T não tem justificativa numérica – somos apenas cerca de 15 mil servidores – peso na folha salarial – a mediana dos salários está distante dos maiores, sem considerar os valores pagos no Legislativo, no Judiciário e no Ministério Público.

 Por isso, desde o início de outubro, embora desejosos de completar o período letivo, os professores da Uerj estão impedidos de trabalhar, empurrados para uma greve tão indesejada quanto inevitável.

A intenção do atraso prolongado de salários é desestimular os professores a se dedicarem integralmente à universidade, passando a ter dois ou três empregos e transformando a Uerj num “escolão”. Com isso, Pezão busca desmontar o coração de uma universidade pública: a dedicação à pesquisa. E essa não é só uma questão da Uerj e dos seus funcionários. A pergunta obrigatória é o que significa para a segunda maior unidade da federação abrir mão de uma universidade pública? Certamente, esse vácuo não será ocupado pelas universidades privadas que pululam em cada esquina.