Ou o governo acerta as contas com a Uerj ou em agosto não vai ter aula

Em abril, após sucessivos adiamentos, a reitoria decidiu retomar as aulas na Uerj, apostando que o reinício forçaria a criação de condições para o funcionamento. Nós do movimento docente da Uerj discordamos dessa decisão, mas ainda assim sucessivas assembleias docentes avaliaram que era melhor retomar as aulas do que entrar em greve naquele momento.

No entanto, três meses depois do reinício das aulas, próximo do final do período letivo, qual cenário vivemos na Uerj?

  1. salários e bolsas continuam atrasados, sem nenhum compromisso do governo com sua regularização e muitos professores e estudantes não têm dinheiro para vir até a Universidade;

  2. o bandejão continua fechado, obrigando estudantes a ter que optar entre comer e pagar passagem ou comer e fazer cópias de textos ou impressão de trabalhos ;

  3. não há perspectiva de regularização do orçamento, o que faz com que os serviços terceirizados possam parar a qualquer momento;

  4. para piorar, o governo congelou todas as progressões e promoções a que os docentes têm direito de acordo com o Plano de Carreira Docente; 

     

  5. o governo aprovou um aumento da contribuição previdenciária dos servidores estaduais que acarretará em redução salarial;

  6. muitos professores estão pedindo exoneração, licença ou redução de carga horária para trabalhar em outros lugares;

  7. muitos estudantes abandonaram o curso;

  8. a procura pelo vestibular da Uerj caiu pela metade. 

Diante disso, cabem as perguntas: que Uerj estamos construindo nesse contexto? Era essa Universidade – com trabalhadores sem salários e estudantes sem condições de continuar estudando, com evasão tanto nos quadros discente quanto docente, com forte redução na procura pelo vestibular – que a Reitoria desejava quando decidiu pela retomada das aulas em abril? Atualmente, que condições temos para continuar trabalhando? Quanto tempo mais aceitaremos a humilhação cotidiana a que temos sido submetidos?

O sacrifício exigido para o conjunto dos professores no início das aulas é agora ainda maior. Há mais de um ano estamos recebendo em atraso, de forma parcelada, sem garantia de que vamos receber, sem nenhuma possibilidade de planejamento. Agora estamos com três folhas salariais em atraso, e a resposta do governo é que não tem previsão de pagamento. As diversas medidas judiciais para garantir o pagamento dos salários e do 13º foram rejeitadas pela justiça – essa mesma, que está com os salários em dia mas que acha que os trabalhadores da Uerj devem esperar. Quem tinha dívidas em abril, em junho está em situação ainda pior, e a capacidade de endividamento dos docentes para vir trabalhar se esgotou. Além disso, com a continuidade da falta de repasse do orçamento da universidade, as condições de trabalho têm se deteriorado, trazendo prejuízos enormes para as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Não podemos e não aceitamos trabalhar nessas condições, que aviltam o direito dos trabalhadores e ameaçam a qualidade do ensino oferecido aos estudantes.

Diante deste quadro só nos resta dizer: se o governo não pagar o 13º salário de 2016 e os salários atrasados; pagar as bolsas atrasadas dos estudantes; recompuser o orçamento da Uerj para pagar as despesas de manutenção e custeio; liberar as promoções e progressões; as aulas não serão retomadas em agosto após o recesso de meio de ano. 

Ou o governo paga o que deve à UERJ ou as aulas vão parar!